Exposições

Anna Bella Geiger Gavetas de Memórias

Anna Bella Geiger é uma das artistas brasileiras mais importantes, tanto pela inquietação que a levou a experimentar diversos meios, quanto pela qualidade de suas obras. Influenciada pelo seu casamento de 60 anos com Pedro Geiger, um importante geógrafo brasileiro, a artista a passou a desenvolver, a partir dos anos 70, um singular trabalho com mapas, pelos quais é conhecida em todo mundo. Esta singularidade esteve presente nas quatro montagens da exposição, “Anna Bella Geiger – Gavetas de Memórias”, que passaram pela Caixa Cultural SP. Caixa Cultural Brasília, Castelinho do Flamengo e Galeria do Espaço Cultural Sergio Porto, no Rio de Janeiro, entre 2015 e 2018.

O Projeto

Em 2015, a Zucca teve o projeto selecionado por edital da Prefeitura do Rio para propor para a artista Anna Bella Geiger a produção de uma gaveta inédita, a ser especialmente criada para o projeto, para ser exposta no Castelinho do Flamengo e ter seu processo de criação e produção documentados em um documentário, produzido e dirigido por Julio Zucca, em parceria com a Foca Filmes, de Bruno Fochi.

Em seguida da temporada no Castelinho, já em 2016, o Espaço Cultural Sério Porto convidou para expormos a gaveta, o vídeo produzido, bem como outras peças da coleção da artista em sua galeria no Humaitá.

Após esse início bem sucedido de desvendar as enigmática obras da artista, ampliamos o projeto para expor um grande número das Gavetas de Anna Bella que estavam em seu ateliê ou em coleções particulares, bem como o vídeo (abaixo) e registros das produções das gavetas, como rascunhos e anotações da artista. Dessa forma, fomos contemplados pela Edital da Caixa Cultural e realizamos a exposição nos espaços da Caixa Cultural em Brasília, em 2016 e São Paulo, em 2018.

AS GAVETAS

No final dos anos 70, Anna Bella se dedicou a pensar obsessivamente em geografia, cartografia e mapas, mergulhando nas questões sociais, políticas, ideológicas e tudo que pode significar o mapa-múndi, suas representações e desconstruções. Inspirada nas lembranças de quando seu pai fazia objetos e fôrmas de biscoito, recortando latas de aveia, teve a ideia de como poderia apresentar suas obras. Uma gaveta de arquivo velho à venda em uma loja de antiguidades foi a solução que passa a funcionar como o suporte para seus mapas. Após diversas tentativas e experimentos, chega na cera de abelha derretida, que não só segura os objetos na gaveta, mas permite a criação de texturas, cores, marcas, carimbos e adornos.  A ideia ficou armazenada durante décadas até se concretizar na criação das obras como se apresentam hoje.

Segundo a própria artista:

“Desde 1975 buscava soluções para esses mapas-múndi até que em 95 encontro uma gaveta na porta de uma loja, toda enferrujada. Posso dizer que eu andei vinte anos pelo deserto. Passei vinte anos procurando o contêiner ideal para segurar o mundo. Gaveta de que é isso? Gaveta de arquivo? Era uma gaveta que teve uma história. Então é nesta gaveta que eu vou resolver essas camadas de significados, nas quais eu não tenho que explicar nada, e onde vai entrar o mapa com a história dele”.

Vídeo

Divulgação e materiais