Exposições

Documental Imaginário

O Oi Futuro apresentou, de 24 de julho a 16 de setembro de 2012, um panorama da fotografia contemporânea nacional através da exposição Documental Imaginário – Fotografia Contemporânea Brasileira, com curadoria de Eder Chiodetto, vencedor do Prêmio Jabuti de 2004 e que trabalhou como repórter fotográfico, editor e crítico de fotografia da Folha de S. Paulo. A mostra reuniu obras de João Castilho, Breno Rotatori, Guy Veloso, Gustavo Pellizzon, Fábio Messias, Pedro David, Pedro Motta, Fernanda Rappa e do coletivo Cia de Foto.

A percepção de que a fotografia tanto documenta a realidade como também pode inventar livremente um mundo paralelo e ficcional serviu de mote para a mostra. “Documental Imaginário” possui obras produzidas nos últimos três anos por autores da nova geração que ajudaram a pensar e a expandir o terreno simbólico da fotografia documental brasileira. “A mostra sintetiza uma das vertentes mais inovadoras e originais que a fotografia nacional gerou nos últimos anos e que vem sendo mostrada com êxito em festivais e exposições importantes mundo afora”, diz Chiodetto.

No início deste novo século mudanças profundas na relação do homem com as imagens fotográficas se consolidaram. A expansão e otimização das câmeras digitais, da internet e da telefonia celular aumentaram exponencialmente a produção e a velocidade da circulação das fotografias, promovendo sua massificação e revelando a ambígua relação entre realidade e ficção. Essa discussão sobre manipulação, veracidade e banalização, que dominou o debate na última década, levou a um grau de reflexão sobre a fotografia tanto no campo experimental e artístico, quanto no documental. A crise anunciada gerou um amplo laboratório de experimentações, como atestam os artistas selecionados para essa exposição.

A nova vertente – que passou a ser denominada de Documental Imaginário por alguns pesquisadores – parte de premissas documentais e até mesmo jornalísticas, mas se permite injetar uma grande dose de subjetividade e de referências nada disfarçadas às atmosferas
cinematográficas, ao instrumental da fotografia publicitária, às novas ferramentas tecnológicas e à literatura, por exemplo.

Os temas deixam de ter enfoque objetivo e racional para se tornar mais complexos, desdobrados em múltiplas possibilidades de leitura. Com forte acento autoral, o documento que se pretende neste campo da fotografia invoca o benefício da dúvida e da poesia no lugar da arbitrariedade de um ponto de vista único e excludente. É o que podemos observar nas imagens de religião do paraense Guy Veloso, que fazem metáfora do transe da fé; ou na série “Encante”, de Gustavo Pellizzon, com lendas que se sobrepõem à vida local dos Ribeirinhos que vivem à margem do Rio Jaguaribe, no Ceará. Um jogo de futebol fotografado e exposto em formato de vídeo mostra um jogo inteiro no qual as imagens só aparecem quando o fotojornalista dispara sua câmera na beira do campo, na obra “Estádio”, da Cia de Foto. Integra a mostra também a premiada série “Essa luz sobre o Jardim”, de Fábio Messias, na qual o artista traduz em imagens aquilo que seria a
consciência de sua avó acometida pelo Mal de Alzheimer. A museografia da mostra ficou a cargo da arquiteta Marta Bogéa, responsável pelo projeto de museografia da 27a e da 29a Bienal de São Paulo (2006 e 2010).

Eder Chiodetto

Mestre em Comunicação e Artes pela Universidade de São Paulo, jornalista, fotógrafo, curador independente e crítico de fotografia. É autor do livro O Lugar do Escritor (Cosac Naify), um dos vencedores do prêmio Jabuti 2004 e coordenador editorial da coleção “Fotoportátil” (Cosac Naify),entre outros títulos. Atua como curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP e realiza projetos autorais de curadoria para diversas instituições. Atuou como repórter-fotográfico (1991-1995), editor (1995-2004) e crítico de fotografia (1996-2010) no jornal Folha de S.Paulo. Como docente ministrou aulas na Universidade Metodista de São Paulo e na Faculdade de Fotografia do Senac-SP. Em 2009 foi eleito o melhor curador de fotografia do país em eleição realizada pela revista Clix/Fotosite. Realiza desde 2004 curadoria em diversas instituições e galerias pelo país e no exterior. Foi curador da mostra “Coleção Itaú de Fotografia Brasileira”, exibida no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 2012.