O Samba Carioca de Wilson Baptista
O samba carioca de Wilson Baptista é um espetáculo musical sobre a vida e a obra de Wilson Baptista (1913-1968), que reúne teatro e música em homenagem ao “maior sambista brasileiro”, segundo Paulinho da Viola. O texto, baseado em profunda pesquisa sobre o compositor feita por Rodrigo Alzuguir.
O musical é estrelado por Claudia Ventura e por Rodrigo Alzuguir, ator, cantor, pianista e pesquisador da MPB. Os dois reviveram as madrugadas alegres e criativas dos bons tempos do Café Nice, corroborando com a teoria de Wilson de que o samba não nasceu no morro, mas nos cafés, como diz sua canção “Café Nice”: “Quando alguém me diz / que o samba veio do morro / Eu me calo pra não discutir / O samba nasceu numa caixa de fósforos / Foi no Nice, ninguém vai me desmentir”.
Acompanhados por cinco músicos – violão 7 cordas, sopros, cavaquinho e dois sets de percussão – que muitas vezes ajudam a compor as cenas, os atores-cantores traçam um panorama da vida e da obra de Wilson Baptista, sob a direção de Sidnei Cruz, luz de Aurélio de Simoni, cenário e figurinos de Carlos Alberto Nunes e direção musical de Roberto Gnattali.
Rodrigo e Claudia se revezam nos papéis dos diversos personagens que povoaram a vida do compositor: Floripes, Marina e Jane (as companheiras “oficiais”), os parceiros Noel Rosa, Ataulpho Alves e Roberto Martins, a cantora Aracy de Almeida e até Getúlio Vargas. Além de situações pinçadas da trajetória de Wilson, o roteiro de Rodrigo e Claudia inclui três “interlúdios” ficcionais, onde, num clima de teatro de revista, dão vida a alguns dos muitos personagens e tipos criados pelo compositor, como Hildebrando, Etelvina, Alberto e Rosalina.
Narrando, cantando e encenando pequenas situações, o espetáculo apresenta o clima leve e descontraído dos cabarés de outrora. O repertório do espetáculo, com mais de 60 músicas – algumas delas inéditas – ao longo de 90 minutos de duração, tomou como base o rico levantamento realizado pelo próprio Rodrigo Alzuguir, que por mais de sete anos realizou uma centena de entrevistas e garimpou informações preciosas em acervos públicos e particulares. Entre os depoimentos colhidos por Rodrigo, vale destacar os de Dorival Caymmi, Paulinho da Viola, Geraldo Vandré, Dercy Gonçalves, Caetano Veloso, Sérgio Cabral, Ruy Castro, Emilinha Borba, familiares de Wilson e até o da musa de Noel Rosa, Cecy, dançarina de cabaré dos anos 30 e que Rodrigo descobriu com mais de 90 anos residindo num subúrbio carioca.
A despeito de seu prestígio entre os amantes da boa música brasileira, mais de quatro décadas depois de seu falecimento, Wilson Baptista ainda é injustamente desconhecido por muitos. Além de ser o autor mais profícuo de sua geração (sua obra chega à hercúlea soma de 600 músicas!), compôs sucessos como “Oh seu Oscar”, “Meu mundo é hoje”, “Mundo de zinco”, “Emília”, “Acertei no milhar”, “Pedreiro Waldemar”, entre outros, e ídolo de artistas como Paulinho da Viola, João Gilberto e João Nogueira, Wilson é considerado o grande cronista musical de seu tempo.
No espetáculo, a polêmica musical entre Noel Rosa e Wilson Baptista – famosa nos anos 30 nas rodas boêmias da cidade – foi cantada na íntegra, incluindo o samba “Deixa de ser convencida”, parceria dos dois que selou o fim da “disputa”. “O samba carioca de Wilson Baptista” também apresenta o verdadeiro motivo do conflito: um triângulo amoroso envolvendo os compositores e uma morena do Cabaré Novo México, na Lapa.
O repertório do espetáculo é uma mistura equilibrada e saborosa de sucessos com pérolas desconhecidas – contando com algumas músicas inéditas, que virão a público pela primeira vez. Como é o caso de “Que malandro você é” – samba que Rodrigo pôde reconstituir a partir de letra e melodia descobertas em acervos diferentes – e da versão em francês da marchinha “Balzaquiana” (“La Balzacienne”), que foi cantada em Paris por ocasião do centenário de Balzac e havia sido dada como perdida.
Em “O samba carioca de Wilson Baptista”, a música de Wilson Baptista está em primeiro plano. Suas melodias e letras inspiradas funcionam como diálogos, piadas, narrações, descrições, crônicas e “a partes” – uma prova de que, em se tratando de Wilson, vida e obra sempre andaram, pelas esquinas do Rio de Janeiro, de mãos dadas.
O projeto venceu o prêmio FATE (Fundo de Apoio ao Teatro da Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2009). O espetáculo teve duas temporadas: Teatro Café Pequeno, no Leblon, em Julho e Agosto de 2010 e Teatro Carlos Gomes em fevereiro e março de 2011. A peça também realizou turnê por dez cidades do Estado do Rio de Janeiro ao longo do ano de 2011.
FICHA TÉCNICA
Pesquisa: Rodrigo Alzuguir
Texto: Rodrigo Alzuguir e Cláudia Ventura
Direção: Sidnei Cruz
Assistente de direção: Gisela de Castro
Direção Musical e Arranjos: Roberto Gnattali e Nando Duarte
Cenário e figurinos: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Aurélio de Simoni
Elenco: Rodrigo Alzuguir e Cláudia Ventura
Músicos: Nando Duarte (violão 7 cordas), Naife Simões (percussão), Luís Barcellos (cavaquinho), Georgie Câmara (bateria e percussão) e Levi Chaves (flauta e sax)
Preparação vocal: Marcelo Rodolfo
Programação Visual: Prosper Design
Fotos: Jaqueline Machado
Direção de produção: Júlio Zucca
Coordenação de produção: Anna Ladeira
Produção executiva: Cristiano Gonçalves
Assistente de produção: Valéria Alves
Contra-regra: Eduardo Cunha
Assessoria de Imprensa: Armazém Comunicação
REALIZAÇÃO: ZUCCA PRODUÇÕES